Bernardino Matos

 




Nasci na cidade de Iguatu Estado do Ceará, me formei em Filosofia pela Faculdade de Filosofia em Fortaleza-Ce. Em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma-Itália. Em Economia, na Sorbonne - Universidade de Paris - França. Em Sociologia pelo Instituto Católico de Paris - França. Em Direito Internacional pela Universidade de Toulouse-França. Fui professor durante 13 anos na Universidade do Vale do Sinos; Na faculdade São Judas Tadeu e na Faculdade Porto-alegrense no Rio Grande do Sul. Leciono há 19 anos na Universidade de Fortaleza - Unifor. Atualmente sou Diretor Administrativo Financeiro do Hospital Pronto Socorro de acidentados e sou Consultor de empresas.Casado com Raquel Caminha Matos há 28 anos, esposa dedicada e amada, temos duas filhas: Érika Caminha Matos, que está concluindo o curso de Administração de Empresas e Cássia Caminha Matos, que está cursando Fisioterapia na Universidade de Fortaleza - Unifor. Adoro ler de tudo, por essa razão, tenho muita facilidade de escrever e sempre gostei de fazer versos brincando com a turma da faculdade, mas como minha vida foi sempre muito corrida, nunca tive tempo de me dedicar a poesia. Quando li as poesias dos amigos da minha esposa na Internet, resolvi voltar a escrever, a torcida em casa era muito grande, da mulher, das filhas, todas me incentivando não deu para recuar, estou indo em frente com prazer.



MENINO DE RUA, SEM FUTURO.


Bernardino Matos.



Saí de casa, por não suportar tantas carências,

por não entender as causas das agressões,

e não suportar tantas amarguras e ausências,

e ficar perdido no meio de tantas desilusões

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Fiz do banco de praça a minha cama,

debaixo de pontes,da insegurança me protejo,

das chuvas, dos ventos, do frio,da lama

vendendo drogas, cheirando cola, me vejo.

Mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



As escolas usam policiais como proteção,

é esse o seu maior marketing para os pais.

Sujo, maltrapilho, sou sinônimo de agressão

deixei de ser criança, sou ameaça pros casais.

mas dizem que do país eu represento o porvir.

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Deitado, num banco de praça admiro o céu,

vejo as estrelas, a lua e sinto tristeza,

não faço parte da sociedade, vivo ao léu,

para muitos sou uma aberração da natureza.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Nos sinais de trânsito eu limpo vidros de carro,

percebo, que muitos procuram se proteger de mim,

pago um preço muito alto pra viver no desamparo,

mas continuo aguardando uma chance, mesmo assim.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Vendo drogas, fumo um baseado, cheiro cola,

alimento nas esquinas o vício do abastado,

os traficantes me protegem, essa é minha escola,

vivo sem instrução, sem calor humano, abandonado.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Eu não entendo os suspiros dos casais de namorados,

quando contemplam a lua e as estrelas tão distantes,

presencio sussurros, suspiros,abraços prolongados,

sofro, me sinto só, são momentos estafantes.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Já estive na Febem, para receber maus-tratos,

repartindo com outros a mesma dor e desespero,

lá sem amor, sem carinho, somos apenas ratos,

aquilo é a expressão cruel da falta de desvelo.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Se alguém me adotasse, me desse um lar, um abrigo,

me desse o direito de receber do amor as migalhas,

eu ficaria feliz, por não ser mais para muitos um perigo,

e não alimentaria o sentimento de vingança dos canalhas.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Não é por falta de recursos, que assim me deixam ,

fazem viagens inúteis e compram avião de luxo,

fazem negociatas, compram votos, nem se queixam,

se dizem proletários, e que conhecem da miséria o fluxo.

mas dizem que do país eu represento o porvir,

perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.



Num futuro distante, eu espero que isso mude,

preciso ser integrado, receber amor, carinho,

mas sobretudo ter paz, esperança, não ser rude,

afastar mágoas e sofrimentos, do meu caminho.

Poderei, então, do país representar o porvir,

e não mais viver perdido, sem saber pra onde ir.



Fortaleza, 22 de maio de 2005




SOLIDÃO, NUNCA!



BERNARDINO MATOS



Sempre que eu viajava para o Rio de Janeiro,

na descida do avião milhões de luzes avistava,

me envolvia um sentimento terno e verdadeiro,

numa daquelas luzes alguém ansiosa me esperava .

Quem tem fé em Deus e ama a vida,

jamais à tristeza da solidão dará guarida.



Carrego sempre comigo uma forte convicção,

que a dor, a alegria, a lágrima e o pesar,

a amizade, a ternura, o amor e a paixão,

são maneiras físicas de a alma se expressar.

Quem tem fé em Deus e ama a Vida,

jamais à tristeza da solidão dará guarida.



Tudo o que nos envolve compõe a vida,

a beleza da flor, o calor do sol, a luz da lua,

o orvalho, a chuva, o vento, a árvore florida,

o mar, os rios, as florestas, a natureza nua.

Quem tem fé em Deus e ama a vida,

jamais à tristeza da solidão dará guarida.



A ela também pertence o batalhão dos desvairados,

fazem parte da romaria os enfermos, os mendigos,

os paralíticos, os cegos, os surdos e os deformados,

os que passam fome e os que vivem sem abrigos.

Quem tem fé em Deus e ama a vida,

jamais à tristeza da solidão dará guarida.



Se nos envolvermos, totalmente, no plano material,

dando valor à riqueza, a posição social e ao poder,

viveremos na insegurança e envoltos num temor fatal,

e não aceitaremos a pobreza, o descaso ,a morte, o sofrer.

Quem tem fé em Deus e ama a vida,

jamais à tristeza da solidão dará guarida.





O AMOR E O BOM SENSO!

Bernardino Matos



Entre o sonho e a realidade o bom senso se situa,

“nem tanto ao mar, nem tanta à terra”, o ditado

popular aprova o meio termo como verdade nua,

posições extremas geram conflitos, é confirmado.



A paixão embaça a visão e compromete a decisão,

a análise parcial dos fatos embota, então, a mente,

a objetividade sai do foco essencial é pura emoção,

provocando desconfortos, angústias, finalmente.



Nosso primeiro encontro, um olhar penetrante,

um suave fascínio, uma empatia instantânea,

marcou o início de nossa caminhada vibrante,

um amor puro, não uma atração momentânea.



Em trinta dias nos casamos, sem muitos rodeios,

sem planos, dominava-nos a euforia do presente,

não houve pedido de tempo, tudo sem floreios,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Pela lógica a primeira fase seria de conhecimento,

para cada emoção haveria uma atitude conivente,

avaliaríamos da paciência a força, o desprendimento.

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Partimos do Rio de Janeiro, no carro toda a bagagem,

a mobília éramos nós, nossa perspectiva o presente,

a amor, a confiança, a doação total, nossa coragem,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Em Porto Alegre, de corpo e alma mergulhamos,

no trabalho, numa conquista diária, sem precedente,

o futuro era um simples detalhe, a fé adotamos,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Não nos preocupamos com moradia, com segurança,

o custo de nossa felicidade era baixo, convincente,

formamos uma reserva de carinho, só de esperança,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



A idéia de termos um patrimônio não nos convencia,

a presença de nossas filhas, uma alegria permanente,

elas baniram a carência, a tristeza, do nosso dia a dia,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



O dinheiro curto nos causava apreensões passageiras,

nosso foco era outro, queríamos desfrutar intensamente,

de todos os momentos, nossas convicções alvissareiras,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Nosso espaço, o universo, encarceramos a solidão,

nossas emoções eram vividas sempre imensamente,

éramos dois adolescentes, o amor nossa munição,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Você era bancária, trabalhava com financiamentos,

visitava clientes, sua alegria era muito envolvente,

recebia muitas cantadas, não causavam sofrimentos,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Nasceram as filhas e vieram as primeiras tensões,

nossa confiança não se abalou, era indiferente,

o amor tudo superaria, afagaria nossos corações,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Um salário de professor, assistências a empresas.

muito suor, muito sofrimento, era real, iminente,

não fazíamos cálculos, para evitarmos surpresas,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Você abandonou o emprego para da filha cuidar,

eu discordei pensando no seu futuro, era evidente,

que num a amanhã incerto, a renda iria faltar,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Com tantas incertezas, angústias, você enfartou,

duas paradas cardíacas, uma tristeza ardente,

pela força da vontade de viver, você se superou,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



Hoje, de cabelos brancos, ainda estamos lutando,

a insegurança é a mesma, nada de vida carente,

não somos conformistas, apenas estamos falando,

não houve bom senso, apenas uma certeza latente.



De toda a luta travada, apenas uma convicção,

o importante não e ter, mas viver calorosamente,

o hoje, cada minuto, cada instante, cada emoção,

o amor jamais terá bom senso, essa é a lição.



Fortaleza, 09 de agosto de 2005.

 

 

 

Mid: Só tinha de ser com você
Art: Nadir A D'Onofrio
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