Carlos Nóbrega

 

 

 

Carlos Nóbrega é um poeta popular, crítico incisivo da demagogia, da pieguice e da injustiça que campeia este País. Romântico e saudoso. Foi adolescente, talhado no alvorecer dos anos de chumbo, dos quais tirou lição para a vida e para as letras.

 

AMIGOS AMADOS

Hoje, ao assistir a um DVD de Peter Frampton, uma brisa gélida e melancólica entrava pela janela. Era a brisa da saudade. Meus pensamentos regressaram a um passado não muito distante, mas longe dos meus planos e sonhos. O ano era 1977 e eu morava em São Paulo. Tinha então dezesseis anos. Ah! A adolescência... como não ti curti. Por que?
Divagando, me veio uma saudade mais doida ainda. Em Sampa fiz muitas amizades. Aquele “jeitão” nordestino de ver as coisas e de se doar conquistava corações... Trabalhava no aeroporto de Congonhas e estudava na escola Ilka Jota Germano, próxima ao meu trabalho. Nessa casa de saber, fiz alguns amigos bem amigos mesmo, pelos quais hoje meu coração chora os laços rompidos! Como dói! Nesse “banzo” que me encontro, lembro de Paulo Paulista, meu amigo mais velho e conselheiro, que me falava da responsabilidade do trabalho; Carlos Paruzzi, meu amigo “italiano”, desenhista por excelência, chorava desencantos amorosos no meu ombro; Celso, meu querido camarada afro descendente, dividimos muito sanduíche de mortadela... Afinal, eram tempos difíceis aqueles! E Marta Mitico? Minha amiga “japonesa”. Sua alma era amor, ternura e carinho... Menina tímida e, apesar de mais jovem, tinha sempre palavras importantes e pontuais. Como sinto sua falta Marta. Onde andarás??? Mas essa tristeza é lamentável, pois os sentimentos arraigados que nos unia romperam-se e uma transferência me trouxe de volta para a minha cidade. Tudo estava esquecido, tudo estava perdido, como lágrimas na chuva...
Mas a mesma adolescência que me fragilizava com todas as dúvidas do mundo, trouxeram-me também o alento de outros amigos de sempre. E os laços estavam todos lá, firmes. E tenho Pio, meu amigo de sempre, que nunca se dirigiu a mim sem um sorriso sincero; sua irmã, Côca Lira, amiga sábia e minha confidente! E, recentemente, uma vitória: consegui resgatar Luiza de Marillac, outra amiga inesquecível! Graças ao meu bom Deus, todos ao alcance de um telefonema ou uma correspondência eletrônica. Reminiscências que machucam o meu coração. Quisera houvesse uma passagem no tempo para que eu voltasse e consertasse tudo. Diria a todos o quanto os amava e jamais permitiria que se afastassem de mim! Mas, que pena! Isso é algo irresgatável no meu passado! Mas a Divindade sábia, na sua infinita grandeza, massageou o meu coração despedaçado. E não me deu apenas novos amigos (e aqui não vou citar nomes), mas transbordou as minhas válvulas e artérias com um PLANETA deles. Para amá-los e compartilhar as minhas dores e alegrias! Viva!!! Viva aos meus muitos e amados amigos!




AS MÃES QUE AINDA CHORAM

Onze de setembro, uma data para ser riscada da história mundial. Bárbaros terroristas desnudaram a segurança americana e feriu de morte o grande irmão do norte, até então arrogante e impenetrável fortaleza. Por esse dia, mães ainda choram a perda dos seus entes queridos. Mas a outra face da mesma moeda mostra que mães ainda choram no Vietnã, seus filhos fuzilados, com o grande propósito de proteger o mundo do comunismo (muito obrigado!)... Mães ainda choram a morte dos seus infantes filhos no Afeganistão, por causa de um terrorista milionário e fundamentalista como os débeis do Taliban, finalmente, mães choram dos dois lados da moeda, no Iraque e no “Império”, pelo desenlace diário de seus rebentos amamentados aos seios tão amorosamente, por causa de uma guerra insana e sem propósito (a não ser o econômico), onde na verdade prevaleceu o desejo de algoz de Bush de atacar aquela nação, talvez para vingar a derrota do pai há muitos anos. O desejo doentio do imperialista de dominar o mundo, como um dos mais cruéis déspotas da história. Este é o grande cenário da atualidade com seus diversos atores e platéias. Afinal, quem são os terroristas?



TRIBUTO A LEU

Eu
Mar oceano da minha vida
Tu
Afluente límpido e fértil
Velas desfraldadas
Navegamos junto ao vento da lida
Enveredamos por regatos silentes
Unidos sempre
Estrondosas ondas gigantes
rebentando sobre arrecifes impassíveis
Eu
Sonho e incerteza da juventude
Tu
Aurora da minha vida
Lá, procriamos
Sob o sol da nossa terra seca,
O amor fertilizou o solo
Em bases sólidas, após vinte e cinco anos
Continuamos a sonhar e construir...
E te amo e desejo todos os dias.
E assim, aurora da minha vida,
Quando o ocaso chegar para um de nós,
Não fiquemos tristes, pois a eternidade nos espera
Assim como eterno é o nosso amor...
Como sempre...
Pra sempre... amor!

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