José Alberto Lopes

 

 

 

 

Sou José Alberto Lopes, nascido em Cubatão SP.
Hoje a poesia para mim é mais do que um café, são xícaras e xícaras que sorvo.
Sou simples como um peixe criado em lagoa, mas não abro mão de um bom texto.





“Posto que o amor é chama”



Eu queria ser o seu diário,
Ler os seus segredos, tim-tim por tim-tim.
Eu queria ser aquele jeans,
Roto e afinado com o seu manequim.

Eu queria ser o seu perfume,
O preferido que você usar,
Um espelho pra te ver inteira
Sem pudor, sem nada pra te ocultar.

Ser aquele baton de carmim
Que repousa firme em seu sorriso,
E sentir quando você morder
Os seus lábios, eu perder o meu juízo.

Eu queria ser a meia luz
A banhar o seu corpo, cor da neve fina,
Ser a lua a espiar e ouvir ansiosa,
Os seus gemidos de menina.

Eu queria ser o vento oeste
Despetalando o que mal se abriu,
O seu menino passarinho,
Das noites quentes desse mês de abril.

E depois, ser seu leito vasto,
Macio e perfumado pra te aconchegar,
E ser a chuva sobre as folhas,
Ritmando a noite pra você sonhar.

E estar dentro desse sonho real,
Como o sol que amanhã vai nascer,
E ser o seu intenso e único amor,
Até o dia de esse amor morrer!

SBC-SP-José Alberto Lopes®
05/04/2007




GALEÃO DE AREIA


Do que valem teus mastaréus e gurupés,
As velas redondas e as velas bastardas,
Se, dando-se à praia, lá te fundeaste?

Do que te vale perfeita quilha
Se nunca sentiste a fúria
E o enlevo das marés?

Nunca bordejaste e nunca foste adriçado!
Nada sabes do amargo das tormentas,
Nem o doce de uma brisa!

Para que servem tuas amarras
Se a procela que lá se levanta
Não tocará sequer um palmo do teu velame?

Do que valem teus remos sobre o convés
Se a calmaria da areia não os importuna,
E assim agonizam ociosos e já outoniços?

Mesmo, pois, observa a viração noturna
A esquadrinhar teu casco seminu,
E um farol em idílios a te chamar!


SBC-SP-José Alberto Lopes®
14/07/2006





Andar na chuva


Como é bom andar na chuva
beber água da goteira,
que cai lá da nuvem escura,
que vem cá da cumeeira.

A chuva é engraçada
às vezes é carpideira,
noutras é intermitente,
em outras, é passageira.

Quando fina é garoa,
quando pedra é granizo.
Tomar chuva é coisa boa
pois desopila o juízo.

É melhor ainda a chuva,
tendo ao lado quem se ama,
sob a capa ou guarda-chuva,
ou no aconchego da cama.


SBC-SP.José Alberto Lopes
28/08/2004


 

   

 


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