Maria José Zanini Tauil

 

 

 

A poesia me propicia fugas incríveis, altos vôos. Alimento o anseio de interpretar a alma das coisas, traduzir o que não foi dito, falar de sonhos sonhados e amores não vividos. Atuo como professora de Literatura, escrevo
poesias, contos e crônicas, privilegiando as primeiras . Tenho um livro solo:
O amor é o caminho, participei de várias antologias e tenho dez livros virtuais na AVBL. Escrevo para o Planeta Literatura e meu site é o Coração Bazar Home Page.



SÓ ÀS VEZES


Às vezes, vejo o mundo
como filme estrangeiro
sem legenda...
sem som...
Tento decifrar diálogos
cenas...paisagens
mas pouco percebo
da trama real...
Será que existe poesia?

Às vezes, me perco a olhar
os peixinhos no aquário
abrindo...fechando a boca
mundo pequeno...
mundo monótono
(nada poético!)

Às vezes, fito velhas fotografias
que não ficam (para mim) abstratas
Olhos me fitam e dizem tudo
porque não conseguem
se desumanizar de todo...
mas...nostálgicas,
não me inspiram poesia

Às vezes, divago olhando
estrelas tão altas...distantes velas
ancoradas no imenso cais
do grandioso céu...
Até dá vontade
de fazer poesia!

Às vezes, me ponho a ler Quintana
Entro nos becos da Rua dos Cataventos
Rezo na Missa dos Inocentes
E ouço a voz do poeta
Por entre páginas amareladas
"Queria que eu falasse de poesia?"



SOLIDÃO

Triste perfil
Vagos contornos
Murmúrios...lamentos
Nas vastidões
Desses meus anseios

Jardins de flores murchas
Desarmoniosas cores
Perfumes desmaiados
Que não abrem passagem
Sob a lua nebulosa...leve
De fria e frouxa claridade

Um sonho martelando a mente
Não são vãos os sentimentos
Nem se apagaram
No turbilhão da ventania

É uma chama...como prece
E brilha, embora muda
Em minha boca...




TRANSITORIEDADE

Áureo passado
Sepulcro vivo
Das lembranças
Dos beijos níveos
Nas luas tardas

O coração sorria
Lívido de encanto
Fazia de tão pouco
Martírios secretos

Construía castelos
Onde ecoavam
Gritos felinos
De amor e ciúme

Havia sutileza
Em forma de gestos
Nadava em praias
Infinitas de desejo

Um par de olhos
Sempre me seguiam
Cuidadosos...sem descanso
Como amantes sentinelas

Perseguiam-me pelos ermos
Me pungiam...me venciam

Nos tímpanos ainda ecoa
A mais bela sinfonia

Ondula...ondeia
A mais bela que ouvi
Foi feita para mim

Tornou-se desde então
Um hino de amor
O nosso hino...
A nossa canção
....................
O amor foi transitório
As lembranças?...não.
 

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Mid: Vincent
Art: Nadir A D'Onofrio
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