Malco Adriano Angioletti

 (Mike)

 

 

Meu nome é Malco Adriano Angioletti (Mike).
Moro em Camboríu-SC. Sou pisciano, 40 anos, trabalho com hospedagem de sites. Gosto de escrever nas horas vagas.
Sou formado em Direito, gosto de curtir a vida sabiamente, com bons amigos, pescar, barzinhos, e namorar claro rsss.

Agradeço a Nadir o espaço e torço que seu site faça bastante sucesso.

Mike
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Fantasmas
Malco Adriano Angioletti (Mike)



George entrou no bar do Roger como fazia há 5 anos. Seus amigos costumeiros estavam sentados alegremente à mesa bebendo cerveja e conversando ruidosamente. Receberam George com justificada alegria, pois era ele que quase sempre pagava a conta.
Aliás, era assim a vida rotineira de George: um solteirão convicto, um trabalho medíocre de caixa numa lojinha no centro da pequena cidade de Bigstonne vários amigos que nunca pagavam suas dívidas.
- Alô, George. Sente-se conosco.
- Claro pessoal.
- Que cara é essa? Parece que viu um fantasma...
Todos riram ruidosamente. Eram comum rirem do patético George.
- É que tive um sonho estranho essa noite... Ah não vou dizer, vocês vão rir como sempre...
Fale pra nós, George. queremos ouvir.
Tá bom, já que insistem...
Todos concordaram em uníssono.

Aquela manhã, eu tinha acordado cedo como sempre para abrir a loja antes que o senhor Isaac chegasse. Porém, tinha dormido mal à noite, preocupado com o rombo no caixa da loja. ao atravessar a rua, me dormindo, um caminhão me atropelou. Pensei que tinha escapado, pois vi pessoas correndo e gritando. Levei um susto quando vi meu corpo estendido no chão.... Tinha virado um fantasma..
Devo ter entrado em choque, pois não me lembro muito bem o que houve, só me lembro de estar no cemitério vendo meu enterro... Eu estava muito deprimido para pensar.
Olhei ao redor e vi uma moça acenando e sorrindo para mim. Era alta, loura e magra. Tinha olhos azuis belíssimos... Me apaixonei na hora. Ela se aproximou sorrindo:
- Olá, meu nome é Louisie, e o seu?
Gaguejando, como sempre faço quando fico nervoso, eu me apresentei e ficamos horas conversando. Quando dei por mim já era noite. Ela me explicou que era normal pessoas ficarem presas entre os mundos após morrerem, o porquê ela não tinha certeza. Achava que era algo inacabado em nossas vidas que nos prendiam a esta realidade.
Ao fim do dia já estávamos nos beijando e abraçando, foi amor à primeira vista. eu sempre pensei que os mortos sentiam frio, mas vinha um calor agradável daquela criatura maravilhosa....
Logo encontramos com outras pessoas, fazendo um círculo de amizade muito forte. Eles me mostraram partes da cidade que nunca tinha visto, fazendas, lugares maravilhosos. Falaram de suas vidas e de como tinham sido infelizes, mas agora se sentiam felizes.
Louisie me contou como tinha sido infeliz no casamento, só lamenta ter deixado a filha. Aquele pessoal me ensinou o valor de aproveitar a vida, coisa que nunca tinha feito quando era vivo..
Mas depois de um tempo, começaram a ficar irritadiços. A ira deu lugar ao ódio. Até Louisie estava estranha. Queria se vingar dos maus tratos que sofrera na vida.
Aos poucos, o ódio gerou uma força destrutiva. Já conseguiam bater alguns utensílios, mover pequenos objetos. Eu assistia a tudo sem poder fazer nada. Não conseguiam ouvir a voz da razão. Agora que conhecera meu grande amor, via tudo ir por água abaixo. Fiquei muito triste.
A cidade estava aterrorizada com as assombrações. Ninguém saía mais a noite.
Chegado um dia, Louisie trouxe uma estranha poção, feita por um cientista. Ela disse que descobriu que com a poção poderíamos nos materializar e destruir a cidade em retribuição à vida desafortunada que tivemos. Ela disse que eu poderia ser o primeiro a beber. Muitos falavam em matar as pessoas.
Eu concordei. Segurei o frasco, feito de uma substância misteriosa que era palpável à nossa natureza semi-etérea. Fui levando o frasco lentamente à boca, lembrando dos bons momentos que tivemos. Os olhares furiosos seguiam cada movimento meu. Um sentimento de tristeza tomou conta de mim, e percebi que desse jeito não poderíamos ser felizes. Nu movimento rápido, atirei o frasco ao chão. Um clarão arroxeado inundou o lugar e desmaiei. Ao acordar, eu estava na minha cama, suando frio.

- Bem pessoal, essa é minha história. É bem boba, não é?
- É, George, boba como sua vida... todos riram.
- Já vou indo pessoal. Roger, pendura pra mim que no fim do mês eu pago, como sempre.
- Claro, George, você é meu melhor freguês.
Quando estava saindo, Rosie, uma das garçonetes, gritou:
- Espere, George, vou com você.
Já lá fora, no hálito frio da noite, Rosie abraça George carinhosamente.
- Não ligue para aqueles idiotas, George. Adorei sua história...
- Mesmo?
- Claro. Meu ex- namorado que trabalha numa editora. Vamos falar com ele e quem sabe você publica um livro.
- Legal. você me ajuda mesmo?
- Só se você me levar ao baile na sexta.
- Combinado.
Assim nasce um novo romance....

Enquanto isso, dentro do bar do Roger..
- Vocês deviam ter vergonha em ficar explorando o pobre rapaz, diz o dono.
- É você tem razão. Daqui pra frente vamos pagar tudo. Vamos cuidar do pobre Roger, afinal lhe devemos a vida.
- Porquê vocês acham que ele não se lembra de nada?
- Acho que foi um ato de misericórdia. Ele ia sofrer por demais se lembrasse.
- E porquê ele não continuou como fantasma?
- Acho que foi uma espécie de pagamento pelo sacrifício que ele fez...
- E os outros?
- Bernard, o cientista, disse que estão livres para continuar sua jornada espiritual, inclusive Louisie. Ele disse que é o destino que um dia voltem a se encontrar e continuar de onde pararam...


 

 

 

Mid: tim_maia_azul_da_cor_do_mar...
Art Nadir A D'Onofrio
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