Notívaga Noturna

 

 

Notívaga Noturna ou Magriça
Não importa como se apresente, aprendi lhe querer bem,
independente de saber quem realmente é você!
Nessa simples página o meu carinho e reconhecimento
pelo trabalho que realiza.
Foi no seu Site  httpp://www.Notívaga.com nos idos de 2004, incentivada por amigos queridos que
criei coragem para postar, divulgar meus primeiros textos na Internet.
Infelizmente, para nossa tristeza o mesmo fechou, você desapareceu e hoje retorna ao nosso convívio da mesma forma, proporcionando aos escritores e poetas, um espaço gratuito para que divulguem suas obras.
Á você, meu agradecimento, respeito e carinho.


Nadir A D'Onofrio
Santos SP


 

 

O mestre
Notívaga Noturna 



se eu o encontrasse não saberia dizer que, ou quem, é ele.

foi o que aconteceu quando, de fato, o encontrei.

ele simplesmente emanava algo diferente.

e que eu seguia, com se ele fosse uma gia que eu bebia.

eu ouvia o que ele dizia, eu andava onde ele pisava e ia.

eu amava o que ele amava e via, com aqueles olhos sampacos e distantes.

e assim peregrinei pelo mundo, encontrando gentes diferentes, o tempo todo.

todos seres. todos do planeta. e poucos, como ele, que eu seguia e perseguia. e pressentia que era o mestre, um mestre, o meu. somente meu e de mais ninguém.

um dia perdi seu rastro.

e passei a procurar dentro de mim, até o fim.

foi assim que me encontrei, sem querer.

e nunca mais voltei a ser o que era.

até hoje e, pelo visto, até sempre. Porque ele era eu - e eu sou ou era ele também.

Até que a vida nos separe.

26/12/2006

http://www.notivaga.com.br/







E assim prossigo...

Notívaga Noturna

 

Um dia depois do outro.

Penso sempre no meu neto - que já nasceu há mais de oito meses - está na minha foto no site - e ainda não conheço ao vivo. Ele nasceu e vive nos USA, para quem não sabe.


Assim como não conheço os quase 10 mil usuários que por aqui passaram.


Von Breysky, um grande incentivador do site...


Dra. Lou... que está abandonando o Brasil...


Francisco Simões, que teve muitos dissabores com a vida recentemente...


Luciano Moraes, um grande artista plástico e também poeta...


Nunca abracei ninguém. Que falta isso faz.


Nunca pude olhar direto nos olhos de ninguém. Ou simplesmente tomar "um" chope - e rir da vida, do quotidiano. Ou sorrir.


Agora vejo as fotinhos de muitos, todas 120 pixels.


E fico imaginando como é de fato cada um, assim como tento imaginar como é meu neto, o Lucas, de fato, ao vivo.


E fico com vontade de dar um abraço em todos vocês, ao vivo. Há muita gente que acredita que isto aqui é um portal - e que há uma equipe trabalhando nos bastidores. Há sim: são os dez dedos das minhas mãos e meu par de olhos. E claro, meu coração, enquanto dura (referencia a Vinícius).
11/07/2004

http://www.notivaga.com.br/









natais do passado e do presente...
Notívaga Noturna



me lembro quando meus pais se separaram ou estavam separados pelo vértice da existência. eu estava, num desses fins de ano, em Águas de Lindóia, uma estância de águas, para quem não conhece, onde predominam velhos e doentes - querendo se curar da velhice e das doenças. Àquela época, eu era jovem, sem compromisso - e tudo que não fosse movimento me parecia um puro tédio existencial.

a vantagem do lugar é que é limpo, limpíssimo. não há poluição e as estrelas despontam no céu como são. é possível vê-las e entender e sentir a imensidão do universo - coisa que se perde, em cidades como São Paulo, onde sempre vivi.

e, quando chega o Natal, o virar do ano, olhar aquele céu limpo e aquela imensidão infinita, muito além das montanhas de Águas de Lindóia, dava uma certa dor no coração. tristeza mesmo. ainda mais com os pais separados. alegria pra que ou porque? era triste mesmo. coisa de doer no peito. de se pedir algo ou alguma companhia que não se tem - e preencher o vazio, um vazio, nunca soube exatamente do quê.

não, não estou e nem vou mais a Águas de Lindóia, embora saiba aonde fica e como fica. Fico em São Paulo mesmo, há mais de trinta anos. Comemoro o Natal na casa da sogra, sempre do mesmo jeito, como quase uma centena de familiares que ali vão. abrem-se centenas de presentes. o lugar fica uma imundície, de papéis picados. as pessoas se empanturram de comer, salgados e doces, trazidos por elas e por todos que lá vão. alguns se embebedam, uns mais, uns menos. as vezes cantamos, as vezes declamamos, as vezes os dois. sempre há emoção no ar. As vezes saio no terraço, para fumar. e olho os céus. que me lembram sempre os de Águas de Lindóia, ainda que nem tanto. No lugar de montanhas, dezenas de prédios. Algumas luzes acesas, várias apagadas. Onde estarão as pessoas dos apartamentos com luzes apagadas? Estariam nas suas Águas de Lindóia? Não sei, nunca soube, nos mais de últimos 30 anos.

A tristeza que me toma , entretanto, é muito, muitíssimo parecida. Como aquela de Águas. Ainda mais agora, que tenho filhos, um filho e duas filhas. E uma filha com dois filhos, agora, eu, com dois netos. E eu olhando aqui, novamente, os prédios. E minha filha ali, do lado, do ladinho, em San Francisco, ou Albany agora, com meus dois netos. Um, o último, que nunca conheci. Só pela internet. E que está com o olho direito inchado. Novamente. Como o olho de meu pai que morreu. Será que ele é ele de novo? E se é, porque de novo com o olho direito inchado? Este neto, o último, o mais recente, nunca peguei, nunca o embalei nos meus braços. Só o vi pela internet. Até imagino como ele é!

Lá está ele, o Jason.Irmão do Lucas, que já não vi tão crescido e nem falando as bobagens que já fala, em português e em inglês ou uma mistura dos dois. Porque os vivo somente pela internet. Como se estivessem além da montanha. E de fato estão: além de São Paulo, além das Minas Gerais, além do Brasil. E além disso, lá está minha filha, com eles. Ela, que há tanto tempo não vejo - e tanto queria abraçar. E me lembro de meus pais, separados, ou separando-se, ou os dois.

E é natal. Novamente. Desta vez 2006 para 2007. E não vou poder abraçá-los, nem tomar uma champanhe em conjunto. E eles vão estar lá, em Albany ou San Francisco, sem saber que sinto tudo isso e tão longe deles. De novo irei à sacada do apartamento da minha sogra e meu sogro: olharei o céu, as estrelas e, principalmente, os apartamentos ao redor. E sentirei essa dor de existir sem poder tocar. De só poder dizer, por celular, MSN, ICQ, Skypes... as faltas que senti. Mas aí já tudo estará sublimado e devidamente explicado, e parecerá um pouco "fake". A dor de olhar as luzes da cidade ao redor e as faltas de tocar ao redor é muito maior.

É hora de ir embora. Recolher os presentes recebidos. Sem deixar nada cair pelo caminho. Há mais de 30 anos é assim. Ir para casa e - amanhã - curtir o que foi ganho, nesse e em outros dias até o próximo natal. Até o próximo natal.

Quero mais um uísque, mas já bebi demais. Preciso dormir, isso sim. Chegar em casa e esquecer tudo o que senti. Dormir. Acordar. E me sentir feliz. Afinal, foi mais um natal.

Mas, se eu ligar o computador, verei meu neto, meus netos, minha filha, pela Internet? Dormir é prá que? Preciso desejar feliz ano novo! De novo. Enquanto existir.


dedicado a: minha família pequena e intensa

22/12/2006

http://www.notivaga.com.br/



 

 

   

 

Mid: Recuerdos de la Alhambra1
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